A Cidade Ene

A Cidade Ene, novela de Leonid Dobýtchin (1894-1936), é uma narrativa do ponto de vista de uma criança do começo do século XX. Na fictícia cidade Ene ― em homenagem à cidade N de Almas mortas de Gógol ― desvelam-se reminiscências da infância do autor na pequena Dvinsk (Daugavpils), onde passou boa parte da vida. A cidade é um lugar simbólico, um todo-lugar, representando qualquer província russa, e ao mesmo tempo evoca acontecimentos históricos particulares, como a Guerra Russo-Japonesa, a Revolução de 1905 e as transformações que antecederam a Revolução de 1917. A despeito dos anos em que permaneceu, devido à censura stalinista, desconhecido na Rússia, hoje Leonid Dobýtchin é considerado um dos mais refinados modernistas russos. 

COLEÇÃO CONTOS RUSSOS MODERNOS (1900-1930), centrada na produção do primeiro terço do século XX, privilegia uma plêiade de escritores que, com a consolidação do regime totalitarista, foi condenada ao esquecimento, até ser redescoberta na década de 1990. Como uma cápsula no tempo, escondida no subsolo, esses artistas são testemunhas literárias de um passado ainda muito velado, com um legado de poéticas singulares e inovadoras.

SAIU NA IMPRENSA

O Estado de São Paulo, por Aurora Fornoni Bernardini Ago/20
Russia Beyond, por Luis Eduardo Campagnoli Ago/20

AUTOR: Serguei Dovlátov
TÍTULO ORIGINAL: Gorod En
TRADUÇÃO: Moissei Mountian
ISBN: 9786586862003
LANÇAMENTO: 2020
PÁGINAS: 142
FORMATO: 21 x 14 cm
PREFÁCIO: Valéri Sájin
CAPA: Karina Aoki
ACABAMENTO: Brochura 

Serguei Dovlátov

“O escritor russo Serguei Dovlátov (1941–1990), filho de um judeu e de uma armênia, nasceu na época da Segunda Guerra Mundial em Ufá (Bachkiria), passou a maior parte de sua vida em Leningrado/Petersburgo e, em 1978, emigrou para os EUA; viveu seus últimos anos em Nova Iorque, onde morreu, antes de completar 50 anos.
Na União Soviética ele pertenceu à chamada contracultura, à cultura dissidente, e praticamente não foi publicado. Nos EUA lançou doze livros, foi o redator-chefe do jornal O novo americano e colaborou na rádio Svoboda. Seus contos eram publicados na revista New Yorker, seus livros foram traduzidos para o inglês, coreano, japonês e outras línguas. Depois de sua morte, tornou-se na Rússia um dos autores mais queridos e publicados da segunda metade do século 20.
Os gêneros principais de Dovlátov são os contos, normalmente reunidos por temática (O compromisso, 1981; A zona, 1982; A mala, 1986), e novelas curtas (A estrangeira, 1986; A filial, 1990). Ele dá continuidade à prosa russa (Púchkin, Tchékhov) e americana (Ernest Hemingway, Sherwood Anderson), tirando de histórias corriqueiras o seu enredo, organizado quase como um poema.
O princípio de Gógol do ‘riso entre lágrimas’ se converte em Dovlátov num ‘sorriso amargo’ diante da vida como ela é, de uma existência imperfeita. […]”

Ígor Sukhikh (Parque Cultural, Kalinka, 2016)

“Ler Dovlátov é algo leve. Ele como que não reivindica atenção, não insiste em suas conclusões ou observações sobre a natureza humana, não as impõe ao leitor. Eu devoro seus livros em três ou quatro horas de leitura ininterrupta: justamente porque é difícil escapar de seu tom despojado. Ao ler seus contos e novelas, invariavelmente nos sentimos gratos pela ausência de pretensão, pelo olhar ponderado sobre as coisas…”
Joseph Brodsky

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