Fiódor Sologub (1963–1927) foi um dos nomes mais representativos do simbolismo russo, que floresceu no início do século XX. Às vésperas das revoluções de 1905 e 1917, o momento simbolista, no qual o apuro na linguagem se fez tão presente em construções sapientemente elaboradas como às da escrita de Sologub, preparou o advento de novos caminhos estéticos na arte russa.
Fiódor Sologub, pseudônimo de Fiódor Kuzmitch Tetiérnikov, nasceu no ano de 1863, em São Petersburgo. Perdeu o pai, um alfaiate, aos quatro anos de idade. Sua mãe, severa e religiosa, depois da morte do marido, tornou-se criada na casa dos Agápov, onde o menino Fedia Tetiérnikov e sua irmã mais nova, Olga, passaram a infância e a juventude. Ao concluir o Instituto Técnico de São Petersburgo, ele trabalhou como professor de matemática e depois como inspetor escolar até o ano de 1907.
A obra de Sologub começou a ser publicada em almanaques na década de 1880, mas foi o ano de 1896 que marcou o início de sua carreira, quando três de seus livros foram publicados: Poemas; Sombras: Contos e Versos; e o romance Sonhos maus.
A figura estranha e esquiva de Fiódor Sologub tornou-se lendária entre os simbolistas. Muitos escritores e poetas teceram palavras calorosas e exultantes sobre sua obra, como Andrei Biély (1880–1934) e Evguéni Zamiátin (1884–1937), embora invariavelmente descrevessem o autor como um homem de poucas palavras e ausente, sempre com o pincenê, as pernas cruzadas e os olhos entreabertos.
A morte trágica de sua esposa e colaboradora, a ensaísta e escritora Anastácia Nikoláievna Tchebotariévskaia (1876–1921), que se jogou da ponte Tutchkóv ao rio Nevá, marcou os últimos anos do escritor. Sologub continuou a produzir até o ano de 1923 (o ano de sua última publicação).
Teve uma vasta carreira literária. Escreveu romances — como Sonhos maus, A lenda criada e sua mais afamada obra em prosa, O Diabo Mesquinho, também adaptado ao teatro –, inúmeros poemas, ensaios, contos, contos maravilhosos e peças de teatro. Suas Obras reunidas publicadas em Petersburgo pela Editora Sirin (1913–1914) constituem vinte volumes, que foram ainda complementados com seus escritos posteriores.
Lançamento “Os itálicos são meus”
Chega ao Brasil uma das melhores obras produzidas pela emigração russa que traz à tona momentos decisivos da história e da cultura pelo olhar arguto de Nina Berbérova (1901–1993). Um livro que vai interessar não apenas a quem quer conhecer novos aspectos da literatura russa, mas a todos que buscam, através do universo de uma figura profundamente vinculada à vida, compreender um pouco mais de si e da realidade em redor.